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ENC: OFFTOPIC Matéria da VEJA criticando software livre: msg#00023

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Subject: ENC: OFFTOPIC Matéria da VEJA criticando software livre

Bom dia grupo.
 
Eu enviei a mensagem abaixo para a lista linux-board ontem a noite.
 
Hoje, com a anuência do moderador, estou postando para esta lista, para que possa a notícia possa chegar a um número maior de pessoas.
 
Minhas desculpas aos membros das duas listas, que estiverem recebendo em dobro.
 
Se decidirem entrar em contato com a revista, não repliquem meu texto. É interessante que cada um manifeste seu protexto individualmente, para que eles não pense tratar-se de uma corrente.
 
Abraço a todos
 
 
Cristiano P. Ferrari.
 
 
****
Boa noite a todos.

Na última edição da revista VEJA (a que fala sobre o filme "Código da Vinci" na capa) há uma reportagem ao mínimo tendenciosa sobre o software livre.


Indignado com o teor da matéria, enviei um e-mail à revista, protestando quanto à posição da revista sobre a adoção de software livre pelo governo federal.

Como duvido que minha crítica seja publicada na seção "Cartas", tomei a liberdade de enviá-la abaixo para o grupo.

Como somo mais de 1.000 membros, gostaria que os que concordarem com minha opinão escrevam    à revista ( http://veja.abril.com.br/idade/fale_conosco/caranova.html) expressando seu protexto, comentário ou indiganação.

Quem sabe se a quantidade de manifestações for significativa, eles publiquem alguma delas. Na edição da semana anterior a matéria mais comentada recebeu 363 cartas/e-mails/faxes. Quem sabe se pelo menos uns 30 ou 50 de nós nos manifestarmos, algumas críticas não seja  publicadas.

Não sei se mudará alguma coisa na concepção de quem leu a tendenciosa matéria, mas certamente mostrará que não somos passivos ou alienados.

Peço ao Flávio Torres, moderador da lista "linux dicas" que avalie a possibilidade de postar este pedido lá também, com o objetivo de atingir um número maior de pessoas. Eu pensei em fazê-lo, mas como sou radicalmente contra o cross-posting, achei que mesmo tal assunto não justifica a prática.

Abraço e boa noite a todos.

Segue o conteúdo do meu e-mail:

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Boa noite.
Falar sobre a qualidade editorial, isenção e os inúmeros serviços prestados por VEJA ao bom jornalismo tornou-se lugar comum há muito tempo.

Não há como se deixar de reconhecer os méritos e préstimos desta publicação, que é de fato uma marco na cultura nacional.

Contudo, vossa edição de número 1956, que recebi ansiosamente neste domingo (14/05), comete um lamentável equívoco ao publicar a matéria "O grátis saiu caro".

Não há como qualquer cidadão minimamente esclarecido negar que o governo do PT tem sido uma vergonhosa e revoltante catástrofe, sob inúmeros aspectos. E o retrocesso enfocado na matéria, quanto ao uso da informática no atendimento ao cidadão, é apenas mais um lastimável e humilhante exemplo da falta de planejamento, comprometimento e capacidade gestora do atual governo federal.

Entretanto, resumir as causas desta ingerência à opção pelo software livre é, na melhor das hipóteses, um monumental engano.

O termo "software livre" encerra muito mais do que a prosaica idéia de "usar e não pagar". Diz respeito, entre muitas outras coisas, a se compartilhar e difundir o conhecimento, permitindo o desenvolvimento de um trabalho colaborativo, eficaz e dinâmico.

A convergência para o software livre é um movimento global e não se limita a governos contrários ao "livre mercado". Inúmeros exemplos (e bem sucedidos) de iniciativas neste sentido são publicados diariamente mundo afora. Pode-se citar, por exemplo, o caso do Governo Suíço ( http://www.novintec.com.br/informacoes_noticias_051214.php) ou da empresa IBM (http://www.neoseeker.com/news/story/5436/ ).

O primeiro, anunciou em dezembro de 2005 a migração de mais de 300 de seus servidores para o software livre e a segunda, corporação global e notório ícone do capitalismo e da "economia de mercado", anunciou recentemente que sua filial alemã cancelou o contrato de fornecimento de sistema operacionais com a Microsoft e não usará as novas versões do Windows em suas estações de trabalho, que serão substituídas gradativamente por software livre (Linux).

Também há de se reconhecer as qualidades do software livre ao se constatar que a arrasadora maioria dos maiores e mais potentes supercomputadores do mundo "rodam"  software livre. O site www.top500.org lista os 500 maiores supercomputadores do mundo, utilizados em aplicações das mais diversas áreas do conhecimento.

É interessante observar que em sua última listagem, atualizada em novembro de 2005 (as atualizações ocorrem sempre em junho e novembro de cada ano),  dos 500 supercomputadores listados, 72% (ou exatamente 360 deles, que somados totalizam a impressionante marca de 324.957 processadores) declaram usar Linux ou seja, software livre (http://www.top500.org/stats). O Brasil aparece nesta lista apenas 4 vezes, nas posições: 120, 122, 164 e 381. Todas elas, por conta de sistemas instalados na Petrobrás, utilizados em aplicações de geo-processamento.

Como se pode culpar a opção pelo software livre pelo retrocesso na utilização da informática como meio para se melhorar a qualidade no serviço público, tal como apresentada na matéria em questão?

É no mínimo estranho que um "sistema" que "roda" em 72% dos 500 maiores supercomputadores do mundo; que é opção de governos de primeiro mundo ou de gigantescas empresas capitalistas líderes em seus segmentos, possa ser culpado pelo atraso do governo brasileiro em desenvolver meios de bem atender ao cidadão.

Portanto, é triste concluir que VEJA infelizmente cometeu uma grande injustiça ao creditar ao software livre a culpa por mais este retrato de incapacidade do atual governo, maculando a imagem de um movimento baseado em filosofia tão legítima ao vinculá-lo de maneira míope a um governo corrupto, marcado por ações que desprestigiam o conhecimento e o mérito administrativo/técnico/científico em favor do mais descarado dos fisiologismos e, o pior, creditando-lhe a culpa pelo atraso decorrente destas ações.

Obrigado pelo espaço para expressar minha opinião, que tenho certeza é compartilhada com milhares de pessoas Brasil e mundo afora.

******


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