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Sobre duas mortes: msg#00142music.brazil.samba-choro
Caros, Faz muito tempo que não posto nenhuma msg nesta lista. Infelizmente a ultima vez foi para lembrar uma morte e esta, desgraçadamente, também. Talvez seja porque, como já disse uma vez, cada vez somos menos (bobagem de velho ranzinza!). Acontece que na véspera de natal morreu Braguinha. Gozado que de todas as listas que participo ninguém se manifestou, nem nesta gloriosa tribuna que tantos glórias já deu para o samba e choro desta terra. Parece que, pelo fato de João de Barro estar beirando os 100 as pessoas acharam normal a sua morte ( Ah! mas ele já estava velhinho, né!). Mais gozado ainda, vendo a coisa sob o prisma jornalístico, é que na Folha de S.Paulo a notícia de seu falecimento ocupou um quadrinho azul na capa com 8x8, brigando com o papai noel submarino e a loira gostosona dormindo no aeroporto (esta sim mereceu zona primária e foto em tamanho 5 vezes maior que a de Braguinha). Mais gozado ainda, ainda. Sou avesso a comparações, durmo ouvindo música e tomo café escutando canções, mas não posso me furtar a proceder assim nessa merda de mundo globalizado que conta os sentimentos por centímetro: ontem, 25, morreu James Brow, perda irreparável, sem dúvida, ainda semana passada me lembrava da cena bárbara que ele fez no Blues Brothers, e, com toda justiça ganhou cabeça de página e uma página inteira no caderno principal da Folha. Mas, que me desculpem os cultores do gênero, dentre os quais eu me incluo, mas, Braguinha fez a música que foi considerada a canção do século 20, Carinhoso e no entanto tem um espaço pífio nos jornais e, nos dias 24 e 25 pouquissima referência em nossas TVs, incluindo os canais a cabo. Triste país onde a mémória se perde dentro de um saco de batatas! O Zeca Louro lembrou bem, no seu blog fantástico Loronix, a cena em que milhares de pessoas saíram do Maracanã cantando as Touradas de Madrid, depois da goleada do Brasil sobre a Espanha. Eu não estava lá, para dizer a verdade não tinha nem um ano naquela data, mas outro dia, escrevendo uma crônica sobre outro assunto, citei a passagem e me senti numa das ruas que margeiam o Maracanã, andando de cavalinho sobre os ombros de meu avô. (Me esqueci o resultado, será que o Roberto se lembra?). E mais gostoso ainda é lembrar que Touradas de Madris foi desclassificada de um concurso de marchas carnavalescas do DIP, em 37, porque, diziam, seria um passo doble e não marcha (mas a emenda saiu melhor do que o soneto e a segunda vencedora foi As Pastorinhas, do mesmo Braguinha de parceria com Noel Rosa). Por tudo isto acho triste mesmo que pouca gente se lembrou ou passou deliberadamente por cima da morte do Braguinha. Enfim, como dizia outro circunstante "malhas que o império tece"... Quem quiser encontrar alguma coisa do Braguinha já, já é só entrar no Loronix ou no cápsula da cultura qonde foram postados excelentes amostras. Em todo caso, anda Luzia, pega um pandeiro e vem pro carnaval, anda Luzia que esta tristeza te faz muito mal. Abraços e beijos fraternos para tuti quanti, principalmente para o Dr. Eduardo, a Carmen, o Roberto Azevedo e o Paulo. Valdir |
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