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Re: [OLPC Brasil] Críticas ao projeto OLPC de um professor: msg#00084

Subject: Re: [OLPC Brasil] Críticas ao projeto OLPC de um professor
Roberto Fagá destaca a questão da corrupção. Não podemos ignorar isso, mas não dá para discutir as possibilidades com esta premissa. Se formos recuar por conta deste ponto tão emotivo e sempre citado pelos críticos não faríamos mais nada. Nem a aplicação de qualquer nova pedagogia, que vai sempre envolver recursos e, junto, a possibilidade de desvios públicos. Além da chance de perda de foco, erros de aplicação, práticas equivocadas, etc...


Acho engraçada a necessidade humana de buscar sempre um "porto-seguro" para se fixar. Em educação, pode-se trabalhar com agricultura, com artes, com artesanato, com os ideogramas chineses... Tudo isso são constructos técnicos. A agricultura foi a primeira grande intervenção do homem na natureza, responsável pela desertificação da Babilônia e o início dos nossos problemas com o aquecimento global.

Michelangelo não pintou a Capela Sistina em 7 dias utilizando só genialidade e inspiração, como queremos fazer crer nossas crianças. Precisou de milhares de estudos, desenvolveu técnicas, ferramentas, tintas, preparou-se e desgastou-se fisicamente. O mesmo ocorreu com Leornardo Da Vinci.

Da mesma forma, a produção de utensílios de barro não é algo trivial para o verdadeiro homem, há história, necessidade, sociedade e inspirações tão nobres quanto as de Michelangelo e Da Vinci.

E, finalmente, a escrita, qualquer que seja ela, é um produto cultural e técnico e totalitário, já que em determinado momento ela é menos construção social e mais imposição de uma casta dita de iluminados.

Se tudo possui técnica, se tudo possui história, se tudo possui época e contexto, por que só isto ou aquilo pode? Por que filtrar e esconder das nossas crianças essa diversidade? Por que acreditar que elas são incapazes de entender o mundo do seu jeito sem que soneguemos informação?

Se podemos ensinar as crianças a plantar, reproduzindo um conhecimento que a mulher desenvolveu a milênios, podemos ensiná-las a utilizar o computador. Não da mesma maneira que plantamos, pois são ações cognitivas e reflexivas bem diferentes (se acharmos que é a mesma coisa, estaremos dando razão ao nobre professor).

Isso me lembra um conto sobre um pólipo que vivia agarrado ao fundo do mar, junto com seus pares, até que decidiu se soltar... Mas esta é outra história.

Em 19/05/07, marta caputo <mvcaputo@xxxxxxxxxxxx> escreveu:

Refletir e ser totalmente contra? Sem apresentar nenhumzinho argumento de porquê você é contra as colocações do Professor Setzer?! Como assim?! Sua postura é aquela do tipo "sou contra porque sou contra?" Afffff...
Ele não poderia ter sido mais brilhante na exposição de seus argumentos, analisando tão acuradamente as muitas facetas de mais essa negociata escusa entre o governo brasileiro e a INTEL.
São os homens do "puder" aqui dessa Banana Republic comprando sucata técnológica dos países do hemisfério norte, depois que o uso das mesmas já se comprovou inútil por lá. Apenas prá abocanhar o seu quinhãozinho, nas comiças, nas licitaçõezinhas...
Acompanho as discussões desta lista há tempos. Nenhum projeto político-pedagógico que cause alento foi apresentado, até o momento, nem por parte do governo, nem por parte da INTEL.
Infelizmente, creio que estamos sepultando qualquer possibilidade de oferecer as nossas crianças o direito a uma infância digna, alegre, saudável, segura, esperançosa, amorosa, cultivando princípios para uma existência mais humana.
Se, ao invés de distribuir um laptop por aluno (o UCA devia se chamar URUCA - cedo ou tarde, a analogia será inevitável), pudéssemos promover às nossas crianças, aos seus pais e professores a oportunidade de frequentar uma escola da pedagogia Waldorf, ninguém ia querer saber de computador tão cedo! Porque numa escola Waldorf, as crianças aprendem a respeitar a natureza (as aulas de educação agrícola, plantar, colher, preparar os alimentos com aquilo que todos, juntos plantaram - e entenderam todos os muitos contextos envolvidos só nesse simples processo - para citar apenas um), os seus semelhantes e valores como a colaboração e a solidariedade, dentre muitos outros.
 
O artigo do Prof. Setzer me trouxe pelo menos um alento: ainda existem seres pensantes que pensam com o auxílio luxuoso do coração...
 
Bom fim de semana prá todos.
Marta Caputo

Nathalia Sautchuk Patrício <nathalia.sautchuk@xxxxxxxxx> escreveu:
Leiam esse texto, é bem extenso, mas vale a pena nem que seja só para refletir e ser totalmente contra...

http://www.ime.usp.br/%7Evwsetzer/um-laptop-por-crianca.html



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Jaime Balbino Gonçalves da Silva
Designer Instrucional e Consultor em sistemas de ensino
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Pedagogo e Técnico em Eletrônica
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