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[OLPC Brasil] Re: Brasil Digest, Vol 10, Issue 41: msg#00206

Subject: [OLPC Brasil] Re: Brasil Digest, Vol 10, Issue 41
José Antônio,
 
você está percebendo o que tenho insistido em dizer?
 
O professor que pegar o Squeak pela frente, por exemplo, tem que fazer o que você está fazendo: tem que experimentar! Pode ter alguma orientação básica, mas tem que fuçar, tem que acertar e errar, tem que descobrir as possibilidades... inclusive descobrir que ele é excelente para o trabalho de produção de textos e de leitura, principalmente para as séries iniciais, superando a idéia de que ele é mais adequado para Matemática e Ciências.
 
Cada vez que se pensa em capacitar os professores nos diferentes softwares educativos, tremo ao imaginar (e isso já vem sendo feito) que as coisas são "passadas" para eles e não construídas com eles. Essa diferença, que parece sutil, é fundamental para o desenrolar do processo.
 
A Síntia e a Jenny já têm falado sobre isso também.
 
Acho que o melhor exemplo que todos conhecem é o Webquest - que é uma unanimidade entre os educadores que o utilizam  - e que me deixa com um tremendo pé atrás... porque, por ser uma metodologia de pesquisa orientada, tem passos pré-determinados a serem cumpridos, e acaba se tornando um trabalho estruturado demais, organizado demais... é uma atividade de aprendizagem que se propõe a "ensinar a pensar", mas o que tenho visto são crianças "aprendendo a pensar" sempre da mesma maneira... seguindo o mesmo roteiro, ao invés de estarem "aprendendo a aprender".
 
Os professores se apegam à "receita" do webquest e não avançam, porque seguindo o "manual de instruções" eles se sentem seguros... e aí torna-se um prato cheio para a reprodução apenas, porque não se sentem desafiados, não os fazem pensar; eles não criam e eles têm que ser também produtores de conhecimento e não se sentirem apenas orientadores de tarefas a serem realizadas,  aplicadores de técnicas, seguindo um roteiro prévio, pensado por outra pessoa.
 
É claro que existem ótimas exceções, porque a metodologia é interessante, desde que não seja limitadora. Mas as exceções vêm justamente das pessoas que se apropriaram da metodologia e passaram a criar a partir dela. Pra isso tem que se ter estrada e consciência do que se está fazendo e onde se quer chegar...
 
Os professores também têm que aprender a pensar. Têm que aprender a perder o medo do inusitado. E as oficinas de capacitação são uma ótima oportunidade pra isso.
 
A tarefa é grande, mas o desafio vale a pena.
 
Abraços a todos!
 
Denise Vilardo
 
 

 


  

 
 

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