|
|
[OLPC Brasil] Re: Brasil Digest, Vol 10, Issue 32: msg#00160
|
Subject: |
[OLPC Brasil] Re: Brasil Digest, Vol 10, Issue 32 |
Companheiros da Lista,
a gente fica lendo um pouco daqui e dali, e acompanhando a legítima
preocupação de vocês, e que também é minha, até que tem uma hora que
não dá mais só pra assistir...
Vamos pensar juntos.
Não há projeto educacional sem o envolvimento dos professores.
Isso todos nós já sabemos. E não teremos professores preparados,
devidamente preparados, - no caso especial que discutimos aqui, da
utilização das pequenas máquinas - com "capacitações" rápidas e
pontuais... com remendos de formação. Se for desse jeito, será um
grande equívoco. E como não dá tempo de "graduar" novamente todos
os que já se encontram no mercado de trabalho, a formação em serviço
dos professores deve ser densa e contínua, junto com a dos meninos. E a
revisão curricular dos cursos de Formação de Professores é urgentíssima
(e, por falar nisso, não creio que a Academia esteja preparada pra essa
tarefa). A reforma curricular, tanto para a Educação Básica, quanto
para
as Licenciaturas tem que ser radical, visceral (de virar as tripas,
mesmo...). Não se trata de acrescentar mais uma disciplina chamada
"Tecnologia Educacional"...
Imaginem o trabalho que temos pela frente: utilizar a tecnologia a
nosso favor, de maneira a realmente socializarmos e produzirmos
informação e conhecimento, buscando qualidade e conseqüente melhorias
para todos, de maneira compartilhada. Não é simples! Não se trata de
ensinar os professores a lidarem com os computadores. É mil vezes mais
que isso! É mudança de atitude em relação à vida! Nova forma de se
conceber o conhecimento, a ciência, a cultura. É o
professor sem certezas, sem verdades, apenas pronto para o vir-a-ser.
Por isso não dá pra remendar...
Não podemos esquecer que o professor é também produtor de conhecimento.
Ele também tem que pensar e criar, e se sentir desafiado, senão ele
acaba se percebendo apenas como um "orientador de tarefas a serem
realizadas, e que foram pensadas previamente por outros"; e aí não há
compromisso, nem responsabilidade pelo processo, uma vez que ele é só o
cara que "aplica técnicas e segue roteiros". A "máquina de aprender"
não pode ter receita. Ela é potencial, provocando potenciais. Essa
concepção deve estar atrelada à escolha dos softwares que serão
utilizados.
Lembremos, ainda, que não há salto qualitativo educacional sem
que se queira que isso
ocorra. Portanto, tem que haver vontade política. E, por favor, não dá
pra falar em falta de verba pra Educação! Dá pra falar em
verba mal utilizada, em desvio da verba da Educação pra outra
"prioridade", em incompetência no gastar, mas não em falta. A maioria
dos
municípios brasileiros devolve recursos financeiros - para capacitação
de professores - todos os anos ao Governo Federal, porque não consegue
gastar... Todos os milhões despendidos anualmente em livros didáticos,
vão pro ralo, uma vez que que encontramos milhares deles "guardados"
nos almoxarifados das escolas, sendo corroídos pelas traças... Se não
se realizar um trabalho muito sério com os professores, corremos o
risco de, brevemente, encontrarmos laptops também guardados, sem chegar
nas mãos dos meninos, pra não estragar...
Já disse algumas vezes na lista do "laptop100 - commits - request", o
que vou repetir agora: tem que haver um "Plano de Educação" para esse
país! O que queremos, onde e como queremos chegar, qual o tipo de
sociedade que se deseja. É trabalho ideológico, mesmo! Por enquanto,
estamos apenas colhendo os frutos do descaso, da falta de preparo, do
descompromisso.
Estamos diante de uma grande oportunidade, de poder virar esse jogo,
nesse momento em que tantas novas mudanças são necessárias. E fazer
História, redefinir os rumos e reconstruir o que está por aí. Podemos
começar por aqui mesmo, ampliando essa discussão na própria web,
aproveitando para "treinar" essa forma de construir coletivamente.
Podemos fazer de conta que estamos saindo de uma guerra e precisamos
reorganizar e reformar tudo... (acho que nem será muito difícil
imaginarmos isso, né?)
Abraço fraterno
Denise Vilardo
Professora - Rio de Janeiro
|
| |