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Re: [OLPC Brasil] Livro didático: a situação virou completamente: msg#00158

Subject: Re: [OLPC Brasil] Livro didático: a situação virou completamente
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    Concordo  com muitas das suas considerações mas continuo perguntando qual o suporte que os "heróicos professores do interior deste nosso imenso país", que recebem um salário menor que o mínimo e também nunca viram um computador ao vivo e a cores receberão? Quem os orientará? Como se dará essa implantação??
Questões sobre a revolução e como ela se dará poderão ser debatidas ao longo da implantação do projeto. O momento agora é de avaliação de possibilidades e alternativas para sua concretização, não é mesmo???
Se tivermos professores despreparados, o laptop só servirá como substituto do celular e video game sofisticado???É isso que queremos?? Ou queremos atividades realmente criativas e uma real descoberta do aprendizado? Sem a figura do professor, auxiliando e orientando, muito pouco se construirá.
Minimizar a figura do educador não é objetivo do projeto, muito menos dispensá-lo. Existem muitos auto-didatas, mas com certeza não é o caso da maioria!
Acredito que quando você se refere à corja educacional, não se refere ao professor, certo??

Jenny Horta

Tribuna do Rock.com - Frederico escreveu:
O XO é uma ferramenta dentro de uma nova concepção cultural de pedagógica, as pessoas tem que parar de entender o laptop como um brinquedo para crianças pobres. Já li cada comentário reacionário a esse respeito, do tipo que as crianças irão vender o laptop no sinaleiro para comprar comida, ou que irão roubar  e etc.

Esse pensamento reacionário pode ser muito bem utilizado pelo mercado educacional, essa corja deve estar se contorcendo com a notícia do laptop a U$100.

E fico muito feliz que o mercado educacional brasileiro vai ir pro saco, esse vermes em nada ajudaram a cultura e a educação, criaram verdadeiras creches para adolescente e adultos, seu ensino é descartável e inútil. Contra essa corja não deve haver vacilação, vão ter que se conformar em não lucrar mais com a educação e com o ensino.

A questão do mecenato e do custo das pesquisas em nada será afetada, já que essa corja nunca investiu em pesquisa, que sempre liberou a verba foi o Estado mesmo.

Somada a produção em massa de laptops populares outra questão entrará no debate, a que se refere aos direitos autorias e a produção cultural e intelectual.

Segue umas observações:

(i)a internet muda drasticamente a relação de produção, reprodução e distribuição da informação e da cultura, a idéia de livro como mero registro de pensamento oriundo dos tempos antigos é superada na idade média com a criação do codex, um registro físico de pensamento organizado com índice e encardenado, que por sua vez vira sinônimo de livro com a criação da imprensa, que agora começa a ser superada pela internet, onde a informação não necessita mais de um suporte físico para seu armazenamento, onde sua reprodução vira sinônimo de acesso, onde o livro vira sinônimo de trabalho intelectual criativo sistematizado como unidade, ou seja, o livro se transformou em sinônimo de unidade de conhecimento frente à informação fragmentada e incompleta que circula de forma viral no meio virtual, é dessa forma que iremos nos referir aos livros futuramente, iremos nos referir pela a sua unidade e organização;

(ii)o problema do direito autoral é seu uso patrimonial que é usurpado pelos editores e distribuidores em detrimento ao autor, no Brasil quem mais viola o direito autoral são os editores e distribuidores, a ação de rapina dessa turma impede o acesso, mas, com a internet essa ação é prejudicada, pois o suporte físico permitia a rapina, não é necessário no meio virtual;

(iii)deve se estar atento ao uso da palavra revolução da informação, pois revolução não deve ser entendida como ruptura ou desenvolvimento tecnológico acelerado, deve sim, ser entendida como a tomada dos meios de produção intelectual e cultural pelo povo, através da produção de cultura e conhecimento feita pelo próprio povo, sem intermediários – editores e distribuidores, também implica dizer que a massificação da informação e da cultura deve seguir uma perspectiva popular e de inclusão, caminho esse que o MINC tenta ensaiar, mas ainda é muito débil em suas ações, o que demonstra que esse processo deve ser público porque a população está tomando pra sí e não porque o Estado está fazendo como uma forma de política pública, o que também é válido, mas débil como se mostrou, além de ser um processo que estará sujeito a conjuntura política institucional, além de, esse mesmo processo ficar a mercê de ações políticas oportunistas e reformistas que tem caráter reacionário, mas disfarçado;

(iv)a abolição da propriedade intelectual não tem nada de revolucionário e só dará mais poder aos distribuidores e editores, pois ficarão livre pra fazer o que quiserem, temos é que mudar esse conceito de propriedade, que deve deixar de ser pratrimonialista pra se tornar popular, público, coletivo e revolucionário, conceito ligado a liberdade de expressão e a personalidade humana;

(v)a discussão dos direitos autorais deve estar ligada a discussão sobre a produção, reprodução e distribuição de informação e cultura, também deve estar ligada a destruição da hegemonia cultural, política e intelectual vigente, significa dizer que devemos procurar um sujeito popular de conhecimento;

(vi)e mais importante, essa discussão deve ser travada com o povão, para não deixarmos que esse debate aprofunde a distância entre o povo e os intelectuais, temos que ver o exemplo da Editora Civilização Brasileira que publicou os Cadernos do Povo Brasileiro na década de 60, trazendo o debate sobre as reformas de base para toda a sociedade, uma experiência pioneira;

(vii)e mais importante ainda, temos um fato político que mudará a relação da massa com o conhecimento e com a informática, esse fato são os laptops à U$ 100, que o governo brasileiro está implementando a idéia, mas não como uma forma de inclusão digital, mas como um meio de se economizar os gastos na educação, temos é que influenciar esse processo e ampliar o alcance desse computador a mais pessoas, em especial a classe popular, pois esta briga está sendo perdida de propósito pelo governo que não quer contrariar interesses contrários a inclusão digital e a democratização do acesso ao conhecimento.


Frederico.


Em 26/12/06, Paulo Drummond <ptdrumm@xxxxxxxxxxxx> escreveu:

On Dec 26, 2006, at 8:25 PM, José Antonio wrote:

On 12/26/06, Paulo Drummond <ptdrumm@xxxxxxxxxxxx > wrote:

On Dec 25, 2006, at 9:32 PM, José Antonio wrote:

A situação está zerada. A grandes editoras de livros didáticos estão em um modelo de negócio em obsolescência, que poderá estar morto em 2016. Qualquer professor esperto vai produzir material didático a partir de AGORA (traduzindo suas aulas para um projeto Squeak, por exemplo). Se o projeto for bom, será incluído em 5 milhões de máquinas iniciais do projeto OLPC.

Traduzir suas aulas para o Squeak????? Isso é uma temeridade!!!

O Squeak / eToys é um ambiente de criação de mídia. A criança cria modelos a partir de conceitos e constrói seu conhecimento a partir do que ela produz, considerando uma interdisciplinaridade pouco encontrada em livros didáticos, e de transposição impraticável.

Interessante! Mas digamos que eu seja um professor da primeira à oitava série, com o programa atual, digamos, "conteudista". E eu tenho em mãos o laptop. As crianças já estão usando e sabem operar mais que eu.

Nmmo, será um erro crasso usar professores com formação convencional como mentores de aulas com o laptop. No meu entender, ou o currículo muda para adaptar-se aos novos tempos, e o professor é retreinado de acordo, ou o projeto corre sérios riscos de não dar certo.


O que eu faço agora? Squeak pode ajudar?

O professor terá que ser capacitado a usar um padrão curricular diferente para aulas com laptop. O Squeak pode ajudar enormemente, desde que o professor compreenda bem que ele deixou de ser o centro do conhecimento. A posição de "Magister" absoluto morre.

Sendo Squeak um ambiente de criação, crianças e professores trabalham em conjunto, lado-a-lado, modelando situações que retratam - em linguagem multimediática e divertida - a prática de conceitos de matemática e ciência.

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