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Re: [OLPC Brasil] Livro didático: a situação virou completamente: msg#00156
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Re: [OLPC Brasil] Livro didático: a situação virou completamente |
O XO é uma ferramenta dentro de uma nova concepção cultural de pedagógica, as pessoas tem que parar de entender o laptop como um brinquedo para crianças pobres. Já li cada comentário reacionário a esse respeito, do tipo que as crianças irão vender o laptop no sinaleiro para comprar comida, ou que irão roubar e etc.
Esse pensamento reacionário pode ser muito bem utilizado pelo mercado educacional, essa corja deve estar se contorcendo com a notícia do laptop a U$100.
E fico muito feliz que o mercado educacional brasileiro vai ir pro saco, esse vermes em nada ajudaram a cultura e a educação, criaram verdadeiras creches para adolescente e adultos, seu ensino é descartável e inútil. Contra essa corja não deve haver vacilação, vão ter que se conformar em não lucrar mais com a educação e com o ensino.
A questão do mecenato e do custo das pesquisas em nada será afetada, já que essa corja nunca investiu em pesquisa, que sempre liberou a verba foi o Estado mesmo.
Somada a produção em massa de laptops populares outra questão entrará no debate, a que se refere aos direitos autorias e a produção cultural e intelectual.
Segue umas observações:
(i)a internet muda drasticamente a
relação de produção, reprodução e distribuição da informação e da
cultura, a idéia de livro como mero registro de pensamento oriundo dos
tempos antigos é superada na idade média com a criação do codex, um
registro físico de pensamento organizado com índice e encardenado, que
por sua vez vira sinônimo de livro com a criação da imprensa, que agora
começa a ser superada pela internet, onde a informação não necessita
mais de um suporte físico para seu armazenamento, onde sua reprodução
vira sinônimo de acesso, onde o livro vira sinônimo de trabalho
intelectual criativo sistematizado como unidade, ou seja, o livro se
transformou em sinônimo de unidade de conhecimento frente à informação
fragmentada e incompleta que circula de forma viral no meio virtual, é
dessa forma que iremos nos referir aos livros futuramente, iremos nos
referir pela a sua unidade e organização;
(ii)o problema do
direito autoral é seu uso patrimonial que é usurpado pelos editores e
distribuidores em detrimento ao autor, no Brasil quem mais viola o
direito autoral são os editores e distribuidores, a ação de rapina
dessa turma impede o acesso, mas, com a internet essa ação é
prejudicada, pois o suporte físico permitia a rapina, não é necessário
no meio virtual;
(iii)deve se estar atento ao uso da palavra
revolução da informação, pois revolução não deve ser entendida como
ruptura ou desenvolvimento tecnológico acelerado, deve sim, ser
entendida como a tomada dos meios de produção intelectual e cultural
pelo povo, através da produção de cultura e conhecimento feita pelo
próprio povo, sem intermediários – editores e distribuidores, também
implica dizer que a massificação da informação e da cultura deve seguir
uma perspectiva popular e de inclusão, caminho esse que o MINC tenta
ensaiar, mas ainda é muito débil em suas ações, o que demonstra que
esse processo deve ser público porque a população está tomando pra sí e
não porque o Estado está fazendo como uma forma de política pública, o
que também é válido, mas débil como se mostrou, além de ser um processo
que estará sujeito a conjuntura política institucional, além de, esse
mesmo processo ficar a mercê de ações políticas oportunistas e
reformistas que tem caráter reacionário, mas disfarçado;
(iv)a
abolição da propriedade intelectual não tem nada de revolucionário e só
dará mais poder aos distribuidores e editores, pois ficarão livre pra
fazer o que quiserem, temos é que mudar esse conceito de propriedade,
que deve deixar de ser pratrimonialista pra se tornar popular, público,
coletivo e revolucionário, conceito ligado a liberdade de expressão e a
personalidade humana;
(v)a discussão dos direitos autorais deve
estar ligada a discussão sobre a produção, reprodução e distribuição de
informação e cultura, também deve estar ligada a destruição da
hegemonia cultural, política e intelectual vigente, significa dizer que
devemos procurar um sujeito popular de conhecimento;
(vi)e mais
importante, essa discussão deve ser travada com o povão, para não
deixarmos que esse debate aprofunde a distância entre o povo e os
intelectuais, temos que ver o exemplo da Editora Civilização Brasileira
que publicou os Cadernos do Povo Brasileiro na década de 60, trazendo o
debate sobre as reformas de base para toda a sociedade, uma experiência
pioneira;
(vii)e mais importante ainda, temos um fato político
que mudará a relação da massa com o conhecimento e com a informática,
esse fato são os laptops à U$ 100, que o governo brasileiro está
implementando a idéia, mas não como uma forma de inclusão digital, mas
como um meio de se economizar os gastos na educação, temos é que
influenciar esse processo e ampliar o alcance desse computador a mais
pessoas, em especial a classe popular, pois esta briga está sendo
perdida de propósito pelo governo que não quer contrariar interesses
contrários a inclusão digital e a democratização do acesso ao
conhecimento.
Frederico.
Em 26/12/06, Paulo Drummond <ptdrumm@xxxxxxxxxxxx> escreveu:
On Dec 26, 2006, at 8:25 PM, José Antonio wrote:
On 12/26/06, Paulo Drummond <ptdrumm@xxxxxxxxxxxx
> wrote: On Dec 25, 2006, at 9:32 PM, José Antonio wrote:
A situação está zerada. A grandes editoras de livros didáticos estão em um modelo de negócio em obsolescência, que poderá estar morto em 2016. Qualquer professor esperto vai produzir material didático a partir de
AGORA (traduzindo suas aulas para um projeto Squeak, por exemplo). Se o projeto for bom, será incluído em 5 milhões de máquinas iniciais do projeto OLPC.
Traduzir suas aulas para o Squeak????? Isso é uma temeridade!!!
O Squeak / eToys é um ambiente de criação de mídia. A criança cria modelos a partir de conceitos e constrói seu conhecimento a partir do que ela produz, considerando uma interdisciplinaridade pouco encontrada em livros didáticos, e de transposição impraticável.
Interessante! Mas digamos que eu seja um professor da primeira à oitava série, com o programa atual, digamos, "conteudista". E eu tenho em mãos o laptop. As crianças já estão usando e sabem operar mais que eu.
Nmmo, será um erro crasso usar professores com formação convencional como mentores de aulas com o laptop. No meu entender, ou o currículo muda para adaptar-se aos novos tempos, e o professor é retreinado de acordo, ou o projeto corre sérios riscos de não dar certo.
O que eu faço agora? Squeak pode ajudar?
O professor terá que ser capacitado a usar um padrão curricular diferente para aulas com laptop. O Squeak pode ajudar enormemente, desde que o professor compreenda bem que ele deixou de ser o centro do conhecimento. A posição de "Magister" absoluto morre.
Sendo Squeak um ambiente de criação, crianças e professores trabalham em conjunto, lado-a-lado, modelando situações que retratam - em linguagem multimediática e divertida - a prática de conceitos de matemática e ciência.
_______________________________________________ Brasil mailing list Brasil@xxxxxxxxxx
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