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Eric Raymond: Ou o Linux pega agora ou só daqui a 30 anos: msg#00024

education.brazil.infoestacio

Subject: Eric Raymond: Ou o Linux pega agora ou só daqui a 30 anos

bem interessante... e o pior é que eu acredito nele!!!

concessões nos dois lados terão de ser feitas...


http://www.meiobit.com/arq/008406.html

Eric Raymond: Ou o Linux pega agora ou só daqui a 30
anos

Eric Raymond, que todo geek que se preza conhece e
respeita, é o Santo Padroeiro e um dos fundadores do
movimento Open Source. Ele fez declarações polêmicas e
pragmáticas na Linux World. Segundo ele para que o
Linux se torne uma opção viável é preciso atender ao
público, que quer rodar seus vídeos em formatos
proprietários, ou plugar seu iPot, abrir um iTunes e
sair usando.

A discussão pegou fogo, no painel e na Internet, pois
uma das pedras fundamentais do Open Source, e por
extensão do Linux, é não aceitar arquivos binários de
terceiros. Alguns drivers de placas de vídeo são
criticados por causa disso, e não são incluídos no
kernel exatamente por esse motivo.

O problema é que muitas vezes o fabricante não quer,
por motivos estratégicos, liberar seu código-fonte. A
Apple, ao não liberar uma versão Open Source dos
drivers do iPod, evita que outros criem programas que
venham a competir com o iTunes, por exemplo. Ao não
liberar o código-fonte dos CODECSs do último Windows
Media Player, a Microsoft evita que programadores no
mundo inteiro investiguem o código, descubram a lógica
por trás do DRM e criem programas que a contornem.

Raymond percebeu que as empresas não vão abrir mão
dessas vantagens estratégicas, e concluiu que mais
importante do que pureza ideológica, o Linux precisa
contemplar os usuários que querem os produtos que
acompanham essas tecnologias.

Precisamos de uma boa resposta para o cara de 20 anos
que pergunta se o Linux "vai rodar meu iPod?"
Note, ele não está falando de gambiarras, programas
alternativos, edições de arquivos .conf e programas em
versão alfa, está falando de abrir um iTunes ou algo
muito parecido, como no Mac, e simplesmente usar.

Ele continua:

Não importa quão feio, quão doloroso, precisamos
permitir que o Linux Desktop rode Windows Media, que
suporte iPods. Podemos não querer binários (de
terceiros) rodando no espaço do usuário, mas
precisamos deles
John Hall, o Maddog que é um dos cabeças do Linux,
discorda, ele acha que os usuários devem lutar para
convencer a industria a adotar padrões e protocolos
abertos, e que os consumidores deveriam comprar
players que suportem padrões como o Ogg Vorbis.

O problema é que, nas palavras de Raymond:

Eles ainda querem seus iPods
Um exemplo dado é da distribuição Freespire, que
incorpora drivers e codecs proprietários, gerando uma
experiência muito mais completa para o usuário final,
que roda seus quicktimes e WMVs sem precisar ficar
fuçando configurações. Por isso ela é mal-vista pelos
puristas.

Só que o Linux terá que fazer ainda mais concessões,
com a chegada dos DVDs de alta definição, TV Digital e
outros recursos de entretenimento. É duro de engolir,
mas pode ser o único jeito de se tornar relevante.
Ainda mais que, segundo Raymond, a janela está se
fechando.

Em um interessante argumento, ele defende que mudanças
fundamentais como a troca do Sistema Operacional
Dominante só ocorrem junto com mudanças tecnológicas
de igual monta. A transição dos processadores de
16bits para os de 32bits, por exemplo. Com a transição
para processadores de 64bits concluída no final de
2008, ele entende isso como a última chance de
dominação para o Linux, se ele não se tornar atraente
para o consumidor final leigo, ficará de fora do
desktop, e a próxima mudança está prevista para daqui
a 30 anos.

A posição de Raymond está sendo vista como vendido,
traidor, etc, mas analistas mais inteligentes percebem
uma estratégica digna de Maquiavel. Essa atitude
pragmática é, segundo o próprio Raymond, para
conquistar o desktop de qualquer forma.

Quem vê somente dois palmos diante do próprio nariz
fala "drivers proprietários são errados, não usamos e
pronto", e fica de fora da briga. Já quem pensa de
forma estratégica a longo prazo, percebe que aceitando
drivers proprietários o Linux irá se tornar atraente
ao usuário final, seja ele o dono de iPod, ou o Gamer,
e com isso terá muito mais chances de atingir a
supremacia.

Com isso, quem passa a ditar o que os fabricantes de
hardware fazem é o sistema, a situação se inverte.
Tome por exemplo o DirectX; hoje em dia quem quiser
fabricar hardware de aceleração de vídeo decente,
PRECISA seguir as regras da Microsoft, e se ela
definir que NÃO quer DRM embutido em placas de vídeo,
os fabricantes NÃO colocarão.

Em dez anos pode ser o Linux nessa posição, dizendo
para a Apple que NÃO dará suporte a nenhum iPod que
não tenha drivers com suporte transparente a Ogg
Vorbis, por exemplo. Mas para isso, é preciso fazer
concessões agora.



Rafael de Melo Rossi
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Cel: 9608-6148
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