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Internet Os genéricos da
internet
A nova palavra de ordem dos
libertários da rede é a web 2.0, com programas on-line e
gratuitos. Mas a Microsoft já se mexe para não perder a
hegemonia
 Letícia
Sorg
Se depender de uma nova geração de
gurus da internet, daqui a alguns anos nenhum usuário de computador
comprará nem instalará programas para escrever textos, fazer
cálculos financeiros ou preparar apresentações de slides: tudo isso
estará armazenado na rede, proporcionando uma economia dupla ? de
dinheiro e de espaço na memória do PC. Os primeiros passos nessa
direção já foram dados: hoje há dezenas de programas que operam na
internet como "genéricos" de aplicativos consagrados como o Word e o
Excel (veja
quadro). O movimento até ganhou um nome, web 2.0, numa
referência bem-humorada às sucessivas versões dos programas de
computador. "O software cada vez mais será um serviço, e não um
produto", afirma o americano Rob Enderle, analista do setor de
tecnologia. "A idéia de que as pessoas vão comprar programas está
morrendo", diz o escritor Tim O'Reilly, autor de O que É a Web
2.0, manifesto publicado em setembro e que popularizou o
termo. Outra entusiasta do movimento é a ruiva Mitchell
Baker, presidente da Mozilla, que se tornou uma celebridade do Vale
do Silício californiano depois de lançar o Firefox, navegador
gratuito que em apenas um ano foi adotado por 10% dos internautas do
planeta.
Por trás da revolução proposta pelos
mentores da web 2.0 estão avanços tecnológicos e idéias
"libertárias" como a do software livre (que não cobra licença de uso
e divulga seus códigos, para que qualquer interessado possa
estudá-los e modificá-los). Entre os avanços tecnológicos estão a
banda larga, cada vez mais difundida, e novas linguagens de
programação, como o Ajax, que elimina a necessidade de atualizar em
intervalos regulares cada página de internet visitada. O Google
Maps, site que mostra imagens de satélite de qualquer canto da
Terra, é um exemplo de utilização do Ajax. Sem ele, cada vez que o
usuário "arrastasse" um mapa na tela, a página inteira precisaria
ser recarregada. Com ele, as mudanças na imagem vão sendo feitas em
tempo real, o que melhora muito a experiência de navegação. É graças
à atualização contínua proporcionada pelo Ajax que a edição de
informações on-line em programas como o Writely ou o Thinkfree se
torna possível.
Divulgação
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| Mitchell Baker, do Firefox: pedra no sapato
da Microsoft |
A maioria desses programas é
gratuita ou cobra módicas mensalidades. Como, então, as empresas
criadoras esperam sobreviver? Gerando receita de outras formas,
afirmam, como publicidade ou a oferta de versões turbinadas, mas
pagas. "A tendência é que haja sempre uma versão gratuita do serviço
bancada por publicidade e uma versão paga, livre de anúncios", diz
Alexandre Alvim, presidente da Inova, empresa que desenvolve
programas com base no Ajax. Ainda não se sabe se haverá mercado para
sustentar essas iniciativas. Outra possível desvantagem é o risco de
ataques de vírus. Os entusiastas alegam que, pelo contrário, os
arquivos estão mais seguros nos sites das empresas do que nos
computadores domésticos, que nem sempre têm proteções atualizadas.
Os gigantes do setor estão atentos a
essa novidade. "A Microsoft vai ter de correr atrás para se
adaptar", diz o jornalista americano John Battelle, autor de
best-sellers sobre tecnologia. E a empresa de Bill Gates, de fato,
está correndo. Versões on-line do Windows e do Office foram
lançadas, mas ainda apresentam problemas, evidência de um projeto
apressado. Em outubro, o Midas da informática enviou um memorando a
seus engenheiros exortando-os a ampliar os esforços. O motivo da
preocupação de Gates é o fato de os programas on-line funcionarem
não só com o Windows, mas com qualquer sistema, como o gratuito
Linux. "Esses programas tornarão o Windows menos importante, assim
como o Windows desbancou seu antecessor, o DOS", diz John Battelle.
É bom lembrar, porém, que no passado Bill Gates demorou para
enxergar tendências como a popularização da internet e a importância
dos programas navegadores, mas recuperou o tempo perdido e impôs sua
hegemonia. O mesmo pode ocorrer desta vez. Mas, ainda que a web 2.0
não se torne a revolução imaginada, só o fato de estimular a
competição já é um benefício para os internautas.
| SOFTWARES QUE CAÍRAM NA REDE
Algumas ferramentas já
disponíveis para uso on-line e suas características
MEEBO www.meebo.com Permite que usuários
do MSN, do ICQ, do Yahoo! Messenger e do Google Talk
acessem esses programas até em computadores que não os
têm instalados
PLANZO www.planzo.com Dá ao usuário
acesso, de qualquer computador, aos compromissos
marcados. Permite compartilhar a agenda com outras
pessoas e receber lembretes no celular
THINKFREE OFFICE
ONLINE www.thinkfree.com Pacote de
programas on-line que permite criar e editar documentos
de texto, planilhas e apresentações de slides
WRITELY www.writely.com Equivalente ao
Word, da Microsoft. O acesso, por enquanto, é gratuito.
Segundo os criadores, futuramente haverá uma versão sem
custo e outra paga, esta com mais
recursos | |
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O LADO BOM E O RUIM DA
NOVIDADE
VANTAGENS
Facilidade para
compartilhar arquivos
Certeza de usar sempre a
versão mais atualizada de um aplicativo
Acesso a programas a
partir de qualquer aparelho conectado à internet, como
um celular
DESVANTAGENS
Arquivos armazenados
on-line podem ser vulneráveis a piratas
Computadores mais
antigos e com conexão lenta terão dificuldade em usar os
programas
on-line | | |