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Software Livre avança no governo do Brasil: msg#00026

education.brazil.infoestacio

Subject: Software Livre avança no governo do Brasil

Aproveitando a deixa... mais uma noticia sobre software livre no governo...
parece bem interessante!! Detalhe: Preste bem a atenção no Serpro!!

abraço

http://www.softwarelivre.org/news/5468

Software Livre avança no governo do Brasil
Editoria: Governos
12/Jan/2006 - 10:35
O Pingüim toma o poder
Por Lucia Reggiani - InfoExame

Órgãos públicos encontram no código aberto a saída para ganhar eficiência com
orçamentos curtos

Ler os e-mails, escrever um texto, trabalhar numa planilha, acessar a intranet.
A rotina do pessoal administrativo do Serpro, o gigante serviço de
processamento de dados do governo federal, é assim, como em qualquer empresa. O
extraordinário é que 3 700 desktops, 75% do total de PCs do administrativo,
rodam apenas programas de código aberto. Mais precisamente as mais recentes
versões do sistema operacional Linux Fedora (Core 4), da suíte de aplicativos
OpenOffice.org, do navegador Firefox e de sistemas próprios.

O órgão que processa todo ano o nosso Imposto de Renda não tem o que reclamar
da tecnologia que começou a adotar estrategicamente a partir de 2004. "O Serpro
ficou dez anos sem investimento, estávamos sucateados, defasados
tecnologicamente. Com o software livre, conseguimos acompanhar a evolução da
tecnologia e aproveitar melhor nosso orçamento", afirma Deivi Lopes Kuhn,
coordenador de migração de software livre. Em dois anos de substituição de
programas proprietários para software livre, o Serpro deixou de gastar com 10
milhões de licenças. O dinheiro que iria para elas foi redirecionado para
máquinas, treinamento, consultaria e suporte técnico. Em 2004, a economia foi
de 5 milhões de reais, segundo Kuhn.

A estratégia do projeto de software livre no Serpro foi montada no final de
2003. "Estabelecemos áreas prioritárias e, dentre elas, as mais fáceis de
iniciar a mudança. Por isso começamos pelo administrativo", diz o coordenador
de migração. O primeiro passo foi eleger o OpenOffice.org como substituto do
Microsoft Office nas máquinas com Windows. Depois, os formatos dos arquivos
foram normatizados e só então houve a mudança de sistema operacional.

CONTRA RESISTÊNCIAS

A primeira etapa, completada no final de 2004, aproveitou a atualização do
parque de estações de trabalho para substituir várias versões do Windows pelo
Linux em 2992 PCs, todos com Fedora Core 2, navegador Mozilla e OpenOffice.org.
No princípio, houve resistência dos usuários, mas as campanhas internas de
conscientização e o ganho de novas funcionalidades foram quebrando o gelo
devagar.

A segunda etapa, em 2005, passou a atacar 05 servidores, especialmente os de
infra-estrutura de rede, que saíram de Novell para Linux. Foi criado um serviço
de gerência próprio, para integrar os sistemas e gerar relatórios, e entrou em
cena o Sagüi, uma ferramenta desenvolvida internamente para controlar a
distribuição de software. Alguns bancos de dados foram portados para mySQL e
Postgre. Só não são em maior número porque o Serpro faz interface com
prefeituras, estados e outros órgãos de governo que usam os sistemas mais
variados. "A migração é complicada porque desenvolvemos soluções para os
clientes, temos de dar suporte em Delphi, por exemplo, não dá para ficar só no
mundo livre". diz Marcos Meio, coordenador de subTI do projeto.

No momento, o Serpro prepara os legados para a migração, especialmente os
bancos de dados Access isolados. Nos desktops, o filhote mais novo do projeto é
o Carteiro, correio eletrônico que engloba vários programas abertos, como o
servidor de colaboração Open-Xchange, o banco de dados postgre e o servidor de
e-mails Postlix. No final de 2005, perto de 2 000 usuários já usavam o novo
correio. A meta é fechar 2006 com todo o Serpro nessa solução, o que dá 9 000
usuários.

LINUX NO EXÉRCITO

Além de arrumar a própria casa, o Serpro leva sua experiência a outros órgãos
de governo por meio da participação nos comitês de inclusão digital que tocam
projetos como o do PC para Todos. Colabora na definição de padrões, presta
serviços para estados e municípios montando telecentros e as Casas Brasil,
espaços de inclusão social e digital que englobam telecentro e salas de aula.

Um dos maiores projetos em que o Serpro está envolvido é o da migração no
Exército. No final de 2005. estava concluindo sua primeira etapa, com 60% das
máquinas rodando software de código aberto. "O projeto prevê migrar 2 500
servidores e 30 000 desktops em mais de 700 unidades em todo o território
nacional", diz o coronel Carlos Pereira Gil, gerente de software para o
Exército.

Cerca de 1 000 técnicos do Exército estão envolvidos nesse projeto de migração,
que pretende atingir 98% do usuários de TI. Por questões estratégicas, o
desenvolvimento do software será feito internamente.

VIAGEM SÓ DE IDA

A adoção de software livre no governo federal é uma estratégia de Estado. A
coordenação da migração é tarefa de Renato Martini, presidente do Instituto
Nacional de Tecnologia da Informação ITI), vinculado à Casa Civil. "Nos últimos
três anos, fizemos um trabalho de convencimento para mostrar aos técnicos do
governo como o software livre é importante inclusive para reposicionar o país",
diz Martini, que assumiu o posto em setembro passado.

No momento, o ITI realiza um levantamento sobre o uso do software livre na
esfera oficial para poder definir melhor as prioridades, dado ao fato de a
administração pública ser muito grande e heterogênea. "A Radiobrás, por
exemplo, migrou o sistema de streaming e vídeo para código aberto. Temos
clusters de servidores em Linux para a simulação de extração de petróleo na
Petrobrás. E programas da Embrapa para o controle de produção de leite. A
diversidade é muito grande", diz Martini.

Mas o reposicionamento não significa interrupção do projeto. "O software livre
não é uma invenção do Brasil. Seu uso está em debate no mundo todo, não tem
volta. O que nós estamos fazendo é buscar competência para o país. O Hemisfério
Norte não vai dar nada para a gente, nós é que temos de ser criativos para não
ficar para trás", afirma o presidente do ITI.

O GOVERNO ABRE O CÓDIGO

Se usar software livre faz bem para o caixa e a condição tecnológica do
governo, abrir o código dos programas desenvolvidos por órgãos oficiais pode
fazer mais bem ainda para a população. E é isso que está sendo feito. O
Proinfo, programa de ensino a distância desenvolvido por técnicos do Ministério
da Educação, terá seu código liberado para quem quiser usá-la. O Instituto
Nacional de Tecnologia da Informação OTO também coloca à disposição os
programas de certificação digitai que criou para as transações seguras na
internet. A Embrapa dá a sua contribuição aos agricultores e pecuaristas,
liberando sistemas feitos por seus especialistas. Está na fila da abertura o
cacic (Configurador Automático e Coletar de Informações Computacionais), um
programa para diagnóstico de redes criado pela Dataprev que conta com uma
comunidade de cerca de 3 000 pessoas dispostas a identificar os problemas mais
comuns enfrentados pelos usuários, aprimorar a ferramenta e desenvolver novos
módulos.

Para abrir o código, o ITI fez um trabalho de avaliação jurídica com a Fundação
Getúlio Vargas para definir uma licença de uso irrestrita, mas que obrigue o
usuário a compartilhar os aperfeiçoamentos feitos no original. Assim, o usuário
pode ganhar dinheiro com o que inventar sobre os programas e o governo melhora
seus sistemas de graça.

MICRO LIVRE NO METRÔ

A migração para o código aberto no governo tem um desbravador de peso na
Companhia do Metropolitano de são Paulo - Metrô, uma empresa de economia mista
em que o estado de são Paulo é o acionista majoritário. O software livre entrou
por lá em 1997, quando a necessidade de equilibrar receitas e despesas espremeu
um orçamento que já era magro primeiro foi o correio eletrônico, baseado em
Linux e QMail, que hoje gerencia 7 500 contas de e-mail dos funcionários. Outra
crise financeira levou Gustavo Uazzario I, gerente de TI do Metrô, a trocar o
Microsoft Officeem 2001 pelo então gratuito 5tarOffice, agora substituído pelo
OpenOffice.org. Hoje, o Metrô possui 2 400 micros com Windows rodando
OpenOffice.org. A medida que as máquinas são substituidas por outras, mais
novas, entra em cena o Micro Livre, com Linux distribuição Debian, intertace
gráfica Dlanes, OpenOffice.org e Firefox, entre outros programas de código
aberto.

"A troca das máquinas é estratégica. Quem tem pentium de 100 MHz só troca por
um Pentium 4 de 2,8 6Hz se for com Linux", diz Mazzariol, que tenta assim
vencer a resistência dos usuários. 5ua persistência tem uma boa razão. Desde
que optou pelo código aberto, o Metrô tem economizado cerca de 3 milhões de
reais por ano, incluídas ai as licenças de aplicativos de escritório, bancos de
dados e correio.


Rafael de Melo Rossi
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Tel: (21) 9271-4551
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