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Google e Skype, de novo: msg#00034

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Subject: Google e Skype, de novo

Pra quem ainda não está ligado nessas tecnologias, é uma boa pra iniciar...

Fonte: http://www.estadao.com.br/tecnologia/coluna/stanton/2005/ago/25/131.htm

Google e Skype, de novo
Sem dúvida, duas das organizações mais interessantes que atuam na Internet hoje
são Google e Skype, que já foram assuntos de colunas anteriores (v, por
exemplo, as colunas de 30 de novembro de 2003 e 4 de janeiro de 2005.

Apesar de ter falado sobre o Skype já em novembro de 2003, custei um pouco para
usá-lo, convencido primeiro pelo entusiasmo de meus alunos e colegas de
trabalho e, finalmente, por meu filho, que mora no exterior. Skype (v.
www.skype.com), para quem ainda não sabe, é um aplicativo que permite seu
computador ser também um telefone. Imagino eu que seu desempenho será melhor
com acesso Internet de "faixa larga" - ainda não experimentei sobre uma conexão
de acesso discado. Para usar o Skype, o computador precisa possuir suporte para
áudio, com microfone e alto-falantes, e estes podem ser substituídos por fones
de ouvido. O serviço de telefonia prestado é de boa qualidade, e inteiramente
sem custo quando usado entre computadores ligados à Internet. Para tanto, é
necessário sabe a identificação Skype do seu correspondente, que será usado
para determinar se ele está ligado à rede, e se está disponível para conversar.

Skype é o exemplo mais destacado das aplicações de Voz sobre IP, ou VoIP (do
inglês), que é uma técnica usada para transmitir áudio por meio de uma rede de
informação digital. Por motivos de economia, algumas companhias telefônicas vêm
usando VoIP para diminuir os custos de telefonia de longa distância ou
internacional, e podemos notar que os preços vêm caindo há anos com a entrada
de novos concorrentes. Me recordo que há poucos anos telefonemas internacionais
para Europa ou EUA custavam em torno de US$ 1 por minuto. Então veio uma
investida forte da Intelig (www.inteligtelecom.com.br), que acabou baixando o
preço de referência para mais próximo de R$ 1 por minuto. Mais recentemente, a
GVT (www.gvt.com.br), que já era "espelho" da Brasil Telecom na sua área de
operação, passou a oferecer telefonia internacional para as cidades de Belo
Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo, baixando o preço final incluindo
impostos ao patamar de R$ 0,25 por minuto. É só chamar 25. Evidentemente é bom
que as economias de VoIP também sejam repassadas ao usuário final.

A tendência dos preços da telefonia internacional é de cair ainda mais. Hoje,
quando se viaja no exterior e quer falar com o Brasil, há várias alternativas:
uso das companhias locais no exterior, fazer chamadas a cobrar usando
operadoras nacionais, ou comprar um cartão pré-pago de telefonia "alternativa".
É uma confusão de opções, e não sempre todas estão disponíveis. Às vezes os
custos estão salgados, quando usados os meios mais convencionais, especialmente
de hotéis. Agora, se tem acesso à Internet pode-se usar o SkypeOut (v.
skype.com/products/skypeout). Este é um serviço recente de Skype, que permite
realizar chamadas a partir de um computador para telefones convencionais. O
serviço existe para um grande número de países e o custo reflete apenas o custo
de telefonia interna no país de destino, pois não se paga a parte internacional
da conexão. Os preços começam em torno de R$ 0,05 por minuto, para telefones
fixos nos países e cidades maiores. O uso de SkypeOut é pré-pago, com crédito
mínimo de 10 Euros, com validade de 6 meses, e o pagamento poderá ser feito por
cartão de crédito. Este serviço funciona muito bem, na minha experiência.
Comecei usar mês passado quando estava numa cidade do interior de Guatemala, e
fiquei impressionado por sua facilidade de uso e funcionalidade. Depois de
voltar ao Brasil comecei a usar SkypeOut para minhas ligações internacionais
daqui. Os inventores de Skype estão ganhando merecidamente muito dinheiro com
este serviço excelente.

O que falar sobre Google (www.google.com)? A partir de demonstrar na prática a
enorme importância de localização de informação, os inventores desta formidável
ferramenta de busca de páginas WWW (o espaço externo) começaram a ramificar
seus serviços. Ainda está em desenvolvimento a ferramenta "Desktop", já na
versão 2 (v. desktop.google.com). A princípio, a idéia é muito boa: permitir
localizar informação no espaço interno do disco do seu computador. Quem não
"perdeu" informação aí por não conseguir localizá-la na hora H? O problema se
torna mais complexo tecnicamente pela pletora de formatos de arquivos usados em
nossos sistemas. Na versão 2, o leque de formatos aceitos é maior, incluindo
outros agentes de correio além do Outlook da Microsoft (mas infelizmente não
incluindo o Eudora que eu ainda uso), e arquivos no formato PDF. O custo destas
facilidades é espaço em disco dedicado aos índices de conteúdo usados para
acelerar as buscas, e o uso dos recursos do próprio computador para criar e
manter atualizados estes índices. Minha única querela maior com o Desktop é que
perco tempo esperando para ganhar de volta o uso do computador quando o
necessito, pois, embora seja suspensa o trabalho de indexação quando volto a
querer usar o computador, esta suspensão não é imediata. Hoje instalei a versão
2, e darei maiores notícias em outra ocasião.

Também aderi recentemente ao uso de Gmail (mail.google.com), o serviço de
correio eletrônico do Google, embora continue preferindo manter acesso às
mensagens via POPmail do que através da interface webmail. Esta última
evidentemente tem sua utilidade em viagens. O último lançamento do Google para
a comunicação pessoal é o "Talk" (talk.google.com), um serviço de mensagens
instantâneas, que tem como objetivo unificar as diferentes comunidades de
"chat", além de proporcionar comunicação de voz (VoIP de novo!) entre os
usuários - parece que vai concorrer com o Skype. O Talk está disponível a
usuários já registrados no Gmail, o qual agora está de acesso aberto a todos
(durante sua fase inicial, o acesso era por convite emitido por outro usuário).

A súbita transformação em apenas 7 anos de uma pequena organização com um único
produto (a máquina de buscas original) para uma empresa pública, já julgada
estar em 38º lugar entre as marcas mais valiosas do mundo (a Microsoft estaria
em 2º lugar), oferecendo um amplo leque de serviços e com valor de mercado de
US$ 78 bilhões, está perturbando os concorrentes. Bill Gates, o fundador da
Microsoft, falou para a revista Fortune este ano que Google era "mais parecida
conosco do que qualquer outro concorrente que já tivemos". Mais do que qualquer
outra organização do gênero, ela é o produto da aplicação de inteligência às
oportunidades criadas pelo atual estado das tecnologias de informação e
comunicação. A empresa dá asas à criatividade dos seus funcionários (e sócios),
que exploram estas novas oportunidades.

Por exemplo, um outro serviço de Google lançado recentemente é o "Earth"
(earth.google.com), que permite visualizar na tela do seu computador imagens
fotográficas de toda a Terra tiradas por satélites. A base de fotos é muito
grande, embora de resolução variada. Para certos países e para as grandes
cidades nos demais, a resolução permite aproximação ao nível do prédio
individual, ou menos. Por enquanto isto não é verdade para a maior parte do
Brasil, onde a resolução é menor. Do Earth, talvez a característica mais
interessante seja a interface intuitiva, que facilita a navegação. É preciso
usá-la para ver isto, mas, como sou gamado em mapas e outras formas de
visualização da geografia, tenho brincado com ele bastante. Outras
características bem interessantes incluem a localização geográfica (latitude e
longitude) do cursor, e as opções de sobrepor à imagen a malha de ruas e
estradas, com sua identificação nominal, de recordar a localização de pontos do
nosso interesse e de visualização tridimensional das imagens. Acho fantástico!
Não deve surpreender que a Google imagina que este recurso fornecerá a base
para a localização de empresas, lojas e outros ponto de interesse para futura
exploração comercial, e o serviço Earth existe em versões comerciais, além da
gratuita que instalei e uso.

Mais para brincadeira, o "Moon" (moon.google.com)oferece uma interface
semelhante para visualizar a superfície da lua. A resolução das fotos não é tão
alta quanto da Terra em Earth. Entretanto há uma surpresa esperando quem chega
à maior amplificação das imagens.

Skype e Google são organizações que vieram para somar esforços, e fico feliz de
tê-las do nosso lado nesta viagem.

Michael Stanton (michael-K9RfNW2t+ChQFI55V6+gNQ@xxxxxxxxxxxxxxxx), que é
professor do Instituto de Computação da Universidade Federal Fluminense e
também Diretor de Inovação da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), escreve
neste espaço desde junho de 2000 sobre a interação entre as tecnologias de
informação e comunicação e a sociedade. Os textos destas colunas estão
disponíveis para consulta






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