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Subject: pc brasileiro, mas demorado

Lá vem o PC caipira

29/05/2003
Uma empresa mineira de Nova Serrana, a Neo Pesquisa e Desenvolvimento
Tecnológico Ltda, está em fase final de negociação para lançar, ainda
este mês, o computador popular. Reinaldo Rocha, sócio da empresa,
afirma que o preço reduzido da máquina, que não deve passar dos US$
300, não interfere em nada na qualidade. A diferença do PC, de acordo
com Rocha, ``é o fim do ciclo vicioso e viciado do uso de Windows e
Intel''. O Neo PC roda com software livre ou Windows e está sendo
apresentado como uma solução para quem quer migrar para os softwares
livres.

A Neo desenvolveu uma nova plataforma em cima do QNX, um sistema em
arquitetura Unix famoso pela sua velocidade em aplicações de tempo
real e pelo sua concepção, bem diferente do Linux (ver quadro). A
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e o Ministério do
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) expressaram
apoio ao projeto por meio de cartas oficiais. A intenção da UFMG, de
acordo com o professor Sérgio Vale Campos, responsável pelo Solar
(Centro de Referência em Software Livre), é fazer parceria com a
empresa para que o Departamento de Ciência da Computação desenvolva
continuamente os softwares que serão usados na máquina.

O professor Sérgio Campos avaliou o protótipo da Neo e considerou-o
adequado para o projeto do computador popular, que a universidade deu
início há dois anos. Ele mandou uma carta de apresentação para o
Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio apresentando o
produto. Segundo ele, ``o Solar está entusiasmado diante das
perspectivas e trabalhando em conjunto com a Neo em desenvolvimentos
adicionais desta plataforma a fim de que a mesma possa se tornar
efetivamente uma alternativa real para a universalização de acesso
aos meios digitais''.

Interesse: Sérgio Campos afirma que desde que o projeto foi lançado
pela UFMG, com a intenção de propiciar o fim da exclusão digital,
várias empresas foram à universidade para apresentar um protótipo de
PC, mas apenas duas apresentaram modelos eficientes e com preço
reduzido. O atual governo federal vem conversando com a universidade
para dar continuidade ao projeto com a intenção de adotar o novo PC
nas escolas e instituições públicas.

Em carta assinada pelo diretor do Departamento de Articulação
Tecnológica do MDIC, José Rincon Ferreira, o Ministério mostra
interesse pelo computador da Neo. ``De acordo com as novas
orientações deste Ministério e de outros órgãos públicos federais,
estamos, por meio deste documento, formalizando nossa intenção de
aprofundar os estudos sobre a viabilidade de se adotar produtos e
serviços da Neo na implementação de pilotos a serem instalados em
instituições associativas que representam o segmento empresarial de
Brasília'', diz a carta escrita em 20 de fevereiro.

Destaque é o sistema:

Os irmãos Eduardo e Ricardo Freitas fundaram a Neo há dois anos e
meio para desenvolver o computador popular. O protótipo pode ser
ligado numa televisão, com boa qualidade de imagem, e possui
processador Via C3 de 533MHz, 128MB de memória RAM e 32MB de memória
tipo Flash, onde é armazenado o sistema QNX. Desenvolvido há mais de
20 anos, o QNX é um dos mais modernos e eficientes sistemas
operacionais do mercado. Usa a chamada ``arquitetura em
microkernel'', que permite a divisão do sistema em diversos pequenos
módulos ? o que torna o QNX interessante para uso em
dispositivos ``embutidos'' (embedded). O Windows e principalmente o
Linux, por exemplo, usam o chamado ``kernel monolítico'': o núcleo
(kernel) do sistema engloba várias funções. Entretanto, o QNX não é
software livre nem gratuito.









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