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Re: O PAPA FOI UM SANTO?: msg#00090education.brazil.infoestacio
Você acha que o presidente do Brasil, Lula, faz tudo que quer? Então também deve achar que o Papa, o líder de todo MUNDO, abaixo de Deus, na Igreja Católica, com um enorme número de fiéis, também só fazia o que queria, nada seia imposto a ele? Qual o papel dos cardeais? Acho que antes de julgá-lo, devemos, no mínimo, conhecê-lo melhor, não acham?!! Não sabemos a fundo quais seriam seus verdadeiros ideais... Então juguemos todo o clero e não seu representante.... Infelizmente, religião também é política.... e poder... Giselle M. --- Em infoestaciocf-EYaqaC9dFX8MqA7zqLjoiV/I71DsQ//L@xxxxxxxxxxxxxxxx, vinicius fonseca <vinifonseca@xxxx> escreveu > O papa foi um santo? > > > > Rodrigo Ricúpero > Doutorando em História do Brasil pela USP > > > > ? O mundo inteiro acompanhou nas últimas semanas a > piora no estado de saúde do papa João Paulo II. Ele > faleceu neste sábado, 3 de abril, após longa agonia, > explorada pela Igreja Católica com ajuda dos meios de > comunicação de todo planeta. O clima de comoção, > principalmente entre os cerca de 1 bilhão de católicos > no mundo, deve continuar e, no Brasil, o refrão da > visita de 1980, "nosso povo te abraça", será repetido > à exaustão. Aos que neste momento sofrem a morte do > papa como um dos seus, queremos recordar o papel de > João Paulo II na direção da Igreja Católica, abraçando > não o povo, mas os ditadores, o imperialismo > norte-americano e os setores mais conservadores do > clero. > > Nas últimas semanas, surgiram, por todos os lados, > livros, revistas e artigos biográficos, que, com raras > exceções, enaltecem João Paulo II. Ele aparece como > lutador pela paz e defensor dos povos oprimidos. Foi > chamado de "o homem do século" ou ainda se diz mesmo > que ele "mudou o mundo"!. Desta forma, vai > construindo-se um mito em torno ao papa polonês, > abrindo caminho, inclusive, para sua canonização, ou > seja, para que seja declarado oficialmente como mais > um santo da igreja. > > Escolhido para ser o líder da Igreja Católica em 1978, > o polonês Karol Wojtyla, adotaria o nome de João Paulo > II, era o primeiro papa não italiano em séculos. > Simbolicamente, pouco depois foi rezar no túmulo do > fundador da organização ultra-reacionária Opus Dei, > deixando claro sua identidade com o espírito e > objetivos do grupo, tais como o anti-comunismo e a > defesa de posições conservadores em matéria de > comportamento moral, sexual e familiar. > > Rapidamente, o papa assumiu uma postura política > ativa, utilizando como instrumentos suas viagens pelos > vários países, discursos e textos. Coincidentemente, > dois anos depois, Ronald Reagan chegaria à Presidência > dos EUA, com forte discurso conservador, iniciando um > novo período de convergência entre o Vaticano e a Casa > Branca, formando o que Richard Allen, presidente do > Conselho de Segurança Nacional de Reagan, chamou de "a > maior aliança secreta dos tempos modernos". > > A atuação inicial de João Paulo II foi particularmente > nos dois pontos-chaves da cena internacional na virada > da década 70 para 80: Polônia e Nicarágua. O papa > visitou a Polônia em 1979, iniciando uma virada na > posição adotada até então pela Igreja, que era o > diálogo com o governo stalinista. O Vaticano passou a > apoiar abertamente os grupos de oposição. A ação do > Papa em conjunto com a CIA, como confirmou > recentemente o general Vernon Walters, antigo diretor > da CIA, num documentário produzido pela BBC (rede > estatal de TV da Inglaterra), tinha como objetivo > contribuir moral e financeiramente com os setores do > movimento de oposição que defendiam a restauração > capitalista contra os que combatiam a burocracia mas > que defendiam a propriedade social. Assim, o governo > norte-americano, além de trocar informações com o > Vaticano, aproveitou as organizações da Igreja > Católica para remeter recursos e divulgar sua > propaganda em favor do capitalismo. > > Na Nicarágua, o ponto alto da política do Vaticano foi > a viagem do papa em 1983, quando este condenou a > participação de padres no governo da Frente Sandinista > e apoiou abertamente a cúpula da Igreja que fazia > oposição ao novo regime, inclusive promovendo o > arcebispo de Manágua a cardeal. Aqui, novamente o > Vaticano associou-se à Casa Branca em uma grande > campanha contra os sandinistas, que contou com o > enviou de fundos da Agência de Desenvolvimento > Internacional, órgão do governo dos EUA, para a > oposicionista Arquidiocese de Manágua; com a > propaganda feita de dentro dos EUA por organizações > como o Instituto sobre Religião e Democracia ou ainda > com ações e atos impulsionados diretamente pela Igreja > contra medidas do governo nicaragüense, que obtinham o > pleno apoio do embaixador norte-americano em Manágua. > > Ainda na América Latina, o papado, antes e depois de > João Paulo II, apoiou claramente as diversas ditaduras > militares. No Chile, um dos grandes aliados do general > Pinochet foi o arcebispo Angelo Sodano, núncio > apostólico, ou seja, embaixador do Vaticano naquele > país. Sodano, até a morte do papa, era a segunda > autoridade do Vaticano, ocupando a função de > secretário de Estado. A velha amizade com Pinochet > levou que o Vaticano solicitasse de imediato a > libertação do ditador, quando este esteve detido na > Inglaterra, a pedido da Justiça espanhola. > > O mesmo ocorreu na Argentina, onde os generais > encontraram no núncio dom Pio Laghi um leal parceiro, > o que levou que a Associação das Mães da Praça de > Maio, que reúne famílias de desaparecidos políticos, a > processá-lo junto à Justiça italiana. Ainda neste país > recentemente o bispo capelão-mor do exército disse que > os defensores do aborto deveriam ser jogados no mar, > prática que a ditadura se valeu inúmeras vezes para > livrar-se dos presos políticos, tendo recebido total > apoio do Vaticano após esta infame declaração. > > Até mesmo na escolha dos santos pode-se perceber a > relação com as ditaduras. João Paulo II transformou em > santo Josemária Escrivá, fundador da Opus Dei (Obra de > Deus), organização secreta de extrema-direita, criada > na Espanha e intimamente ligada a ditadura franquista. > O "santo" Josemária era conselheiro espiritual do > ditador espanhol Franco. O papa João Paulo II também > fortaleceu a organização Opus Dei, ao isentá-la da > autoridade dos bispos locais, vinculando-a diretamente > ao Vaticano. > > O re-ordenamento da ordem mundial não alterou a > política de proximidade com o governo norte-americano, > embora seus discursos sejam recheados de apelos pela > paz, o Papa apoiou a primeira guerra contra o Iraque e > em nenhum momento condenou ou combateu a segunda. Além > disso, sua visita a Cuba em 1998, longe de apoiar o > país, tinha como objeto, como ele próprio declarou, > produzir os mesmos efeitos que sua visita a Polônia em > 1979, ou seja, auxiliar o processo de restauração > capitalista. > > A proximidade do papado com os poderosos do mundo, > contudo, não é exclusividade do período de João Paulo > II. Sem voltarmos para épocas mais recuadas da > história, podemos lembrar a conivência do Vaticano com > o nazismo de Hitler, recentemente objeto de livros e > filmes. Nas palavras do papa Pio XII, que dirigia a > Igreja durante a Segunda Guerra Mundial, o inimigo a > ser combatido era o comunismo: "Hitler contra os > judeus, é Hitler contra o comunismo". Daí não se > estranhar que muitos nazistas procurados por crimes de > guerra tenham conseguido fugir da Europa com ajuda do > Vaticano. > > O apoio às ditaduras militares, o anti-comunismo e o > combate aberto aos regimes que se opõem ao > imperialismo caminham paralelamente a uma luta interna > contra todos os setores progressivos dentro da Igreja, > favorecendo os setores mais conservadores. > > Na América Latina, o grande alvo foi a chamada > Teologia da Libertação e os setores da Igreja ligados > às lutas populares, acusados de introduzir temas > marxistas dentro do catolicismo. Um dos principais > mecanismos utilizados foi a Congregação para a > doutrina da fé (antigo Santo Ofício da Inquisição), > dirigida pelo cardeal Ratzinger, um dos membros mais > poderosos do Vaticano. Através do novo Santo Ofício, > muitos teólogos que ligados à teologia da Libertação > ou que não seguiam a ortodoxia pregada pela Igreja > Católica, foram censurados, como o caso de Leonardo > Boff, tiveram suas obras banidas ou foram proibidos de > continuar ensinando em suas universidades. > > Dessa forma, enquanto a Teologia da Libertação e as > Comunidades Eclesiais de Base e as pastorais sociais > perdem espaço dentro da Igreja, movimentos como a > Renovação Carismática Católica, do qual o Padre > Marcelo é o mais conhecido representante, ganham > força. A disputa aqui é entre duas concepções. > Enquanto os carismáticos valorizam o aspecto > espiritual individual em detrimento do social, os > setores ligados às comunidades de base, ao se > preocuparem com as questões sociais, acabam por > intervir na política ao lado dos mais desfavorecidos. > > Ainda dentro do contexto de combate aos setores > progressistas, o papa João Paulo II nomeou membros > mais conservadores do clero para importantes cargos no > Vaticano, para os bispados mais importantes ou > elevando-os a condição de cardeais, o que, neste caso, > facilitaria a eleição de um outro papa reacionário, já > que são os cardeais que elegerão o sucessor de João > Paulo II. > > Paralelamente a suas posições políticas conservadoras, > o papa João Paulo II defendeu toda uma série de > posições sobre comportamento sexual extremamente > reacionárias. Aqui, contudo, mais do que posições > pessoais, o papa expressava as posições defendidas > pelo conjunto da Igreja Católica. > > Nesse ponto novamente percebe-se a afinidade do > Vaticano com a Casa Branca, particularmente durante os > governos republicanos de Ronald Reagan, de Bush `pai' > e de Bush `filho'. Entre os vários temas, três merecem > destaque: a posição da Igreja sobre o aborto, a > condenação do uso da camisinha, independentemente do > avanço da AIDS, e em relação às uniões ou casamentos > entre homossexuais. > > Em seu último livro, João Paulo II causou polêmica ao > comparar o aborto, atualmente permitido em vários > países, com as formas de extermínio praticadas pelos > nazistas nos campos de concentração. Na mesma obra > acusa as uniões entre homossexuais de serem uma grave > violação a lei de Deus! Afinal seriam uma forma > alternativa a família tradicional. > > Por fim, vale pena lembrar que certos artigos da > imprensa procuram mostrar o papa como crítico tanto do > socialismo como do capitalismo. Nada mais falso! Para > João Paulo II e o Vaticano, o socialismo, de maneira > geral, é uma das "ideologias do mal". Ao passo que as > críticas ao capitalismo são de maneira geral pontuais, > e, na maior parte das vezes, tratam de questões como a > perda dos valores religiosos na sociedade moderna > causadas pelo consumismo ou pela nova moral sexual. E > mesmo o discurso pela solidariedade mundial não passa > de palavras vazias, sem atacar as causas da miséria ou > da exploração. Afinal, um dos conselheiros do órgão > encarregado de elaborar e difundir a doutrina social > da Igreja Católica, a Comissão de Justiça e Paz, é > nada mais nada menos do Michel Camdessus, um dos mais > importantes membros do FMI. > > [ 3/4/2005 00:31:00 ] > > > > > > > _______________________________________________________ > Yahoo! Acesso Grátis - Internet rápida e grátis. > Instale o discador agora! http://br.acesso.yahoo.com/ |
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